Não é Só Sobre Videogames: O Que Aprendi aos 33 Anos

No dia 20 de agosto completo 33 anos. Aproveitando essa data especial, resolvi fazer uma reflexão que começa no colecionismo, mas que também pode ser aplicada a muitas outras áreas da vida.

Conforme amadurecemos, algumas coisas deixam de fazer sentido enquanto outras passam a ter muito mais valor. Uma das principais mudanças que percebi em mim foi entender que a opinião dos outros não precisa determinar aquilo que faço, compro ou escolho para minha vida.

Sua coleção precisa fazer sentido para você

Quando começamos a colecionar videogames, é natural buscar informações e ouvir pessoas mais experientes. O problema aparece quando transformamos a opinião de alguém em uma verdade absoluta.

Se uma pessoa não gosta de determinado console, isso não significa que você também não gostará. Se alguém considera o emulador a melhor solução, isso não torna os consoles originais desnecessários. Da mesma maneira, gostar de jogar em hardware original não faz ninguém superior a quem utiliza emulação ou FPGA.

Hoje, compro e mantenho na minha coleção aquilo que realmente gosto. Não preciso ter todos os consoles, jogar tudo o que compro ou provar que conheço mais do que outra pessoa.

A minha coleção precisa fazer sentido para mim.

Não existe apenas uma forma correta de aproveitar o retrogame

Uma das maiores discussões dentro do retrogame é sobre a maneira “correta” de jogar.

Console original, emulador, MiSTer FPGA, televisão de tubo, upscaler, cartucho, flashcart ou mídia digital: todas essas opções podem proporcionar experiências diferentes e igualmente válidas.

Durante muito tempo, eu também acreditei que jogar no equipamento original era a forma mais legítima de aproveitar um jogo. Com a maturidade, percebi que isso era apenas uma preferência pessoal sendo utilizada como régua para medir a experiência dos outros.

Maior é aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Se todos gostamos de videogames, temos muito mais motivos para conversar e compartilhar experiências do que para discutir sobre qual equipamento é superior.

Nem todo colecionador gosta apenas de jogar

Algumas pessoas não entendem por que alguém investiria tanto tempo organizando, limpando, restaurando e modificando consoles.

No meu caso, o processo também faz parte da diversão. Muitas vezes, sinto tanto prazer abrindo um videogame, limpando sua placa, trocando capacitores e deixando tudo funcionando perfeitamente quanto jogando.

Também gosto de buscar a melhor imagem, construir meus próprios cabos, testar equipamentos e organizar a coleção. Tudo isso faz parte da maneira como escolhi aproveitar o hobby.

Se outra pessoa prefere apenas ligar um emulador e jogar, está tudo bem. O importante é que cada um encontre a forma que realmente lhe proporciona satisfação.

Colecionar também é criar memórias

Com o nascimento dos meus filhos, minha relação com a coleção começou a mudar.

Antes, eu imaginava que não gostaria que eles entrassem no escritório ou mexessem nos videogames. Hoje, gosto de vê-los interagindo com os controles, observando os consoles e descobrindo as diferenças entre cada equipamento.

Eles ainda são pequenos e não jogam videogame, mas já começam a criar uma relação com esse espaço. Quero compartilhar com eles a paixão que desenvolvi pela história dos videogames e, principalmente, criar novas memórias em família.

Por isso, atualmente olho menos para o valor dos objetos e mais para a história que estou construindo com eles.

A comparação pode tirar o sentido do hobby

No início da coleção, é comum observar outras pessoas e pensar no que ainda falta comprar. Sempre haverá alguém com mais jogos, consoles mais raros ou equipamentos melhores.

Quando transformamos o hobby em uma competição, deixamos de valorizar aquilo que já construímos.

Hoje, prefiro olhar para minha própria caminhada. Cada console possui uma história, cada restauração representa um aprendizado e cada mudança no meu espaço mostra uma etapa da minha vida.

Não preciso medir minha coleção utilizando a régua de outra pessoa.

A opinião dos outros perdeu espaço

Isso não significa que devemos ignorar todas as opiniões. A crítica construtiva pode nos ajudar a aprender, corrigir erros e enxergar algo que ainda não havíamos percebido.

O que mudou foi o peso que concedo aos julgamentos externos.

As opiniões da minha esposa, dos meus filhos, dos meus pais e das pessoas que realmente desejam o meu bem continuam sendo importantes. Porém, comentários de quem simplesmente deseja impor uma preferência pessoal já não determinam minhas escolhas.

Ninguém conhece completamente nossa caminhada, nossas condições ou os motivos por trás das nossas decisões.

Muito além da coleção

O maior aprendizado dos meus 33 anos foi entender que não preciso viver tentando conquistar a aprovação de todo mundo.

Isso vale para a coleção, para o trabalho, para os projetos e para muitas outras decisões da vida. Sempre existirá alguém disposto a dizer como devemos gastar nosso dinheiro, utilizar nosso tempo ou aproveitar aquilo que conquistamos.

No final, somos nós que vivemos com nossas escolhas.

Minha coleção não precisa fazer sentido para todo mundo. Ela precisa representar aquilo que gosto, as experiências que vivi e as memórias que ainda quero construir.

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