Era para ser só um teste de controle, mas acabou virando um reparo.
Eu estava montando um adaptador para usar controles de Nintendinho no Famicom e no Twin Famicom. Testei no Twin, funcionou certinho, e fui experimentar no Famicom. Só que, na troca, cometi um erro: usei uma fonte com a polaridade invertida.
O resultado foi aquele susto: o Famicom parou de funcionar.
No meu caso, felizmente, o problema ficou no fusível. Vou mostrar o que verifiquei antes de fazer a troca e o que você pode conferir se passar pela mesma situação.
Primeiro: tire a fonte errada
Não fique tentando ligar o console novamente. Desconecte a fonte e confira se ela tem a tensão, o tipo de saída e a polaridade que o seu aparelho exige. O conector encaixar não significa que a fonte seja compatível!
Faça os testes de continuidade e resistência com o console sem alimentação e sem carga armazenada nos capacitores.
1. Confira o fusível
Na foto, marquei o fusível da minha placa e a região do regulador de tensão para facilitar a localização.
Coloque o multímetro no modo de continuidade e encoste uma ponta em cada terminal do fusível.
Apitou e marcou uma resistência próxima de zero: o fusível tem continuidade.
Não apitou e apareceu “OL” ou indicação de circuito aberto: o fusível provavelmente abriu. Confira o contato das pontas antes de concluir.
Se houver dúvida por causa da medição na placa, solte uma das pontas do fusível e teste novamente.
No meu Famicom, ele estava aberto. Era uma boa pista, mas eu ainda precisava conferir se havia algum outro problema antes de colocar um novo.
Não faça uma ponte de fio no lugar do fusível. Isso elimina a proteção justamente quando você ainda não sabe o que aconteceu com a placa.
2. Procure curto na alimentação
O próximo passo foi verificar a região do regulador de tensão. É ele que fornece a tensão de funcionamento para o restante do circuito.
Depois de identificar corretamente os terminais do regulador, confira a resistência entre:
Entrada e terra.
Saída e terra.
Aqui tem um detalhe: ouvir o multímetro apitar não basta para afirmar que existe um curto. Observe também o valor no visor. Uma resistência que permanece praticamente zerada é suspeita; uma leitura que começa baixa e depois sobe pode ser efeito da carga dos capacitores pelo próprio multímetro.
E lembre: medindo na placa, você está verificando também os componentes ligados àquele ponto, não apenas o regulador.
3. O que os resultados podem indicar?
Fusível aberto e nenhum curto aparente: é um cenário favorável. Pode ter sido somente o fusível, como aconteceu comigo, mas a confirmação vem depois do reparo e do teste.
Curto entre entrada e terra: é preciso investigar a parte de entrada da alimentação, incluindo o regulador e os capacitores ligados a ela. O defeito pode ter ficado nessa região, mas essa medição sozinha não garante isso.
Curto entre saída e terra: merece atenção porque essa linha alimenta o restante do console. Pode haver problema no regulador, em um capacitor ou em algum dos chips. CPU e PPU entram como possibilidades, mas não dá para condená-las só por esse teste.
Fusível bom, mas console ainda sem funcionar: o diagnóstico precisa continuar. O próximo passo é conferir se a alimentação chega ao regulador e se ele entrega a tensão correta. Essas medições são feitas com o aparelho ligado e exigem cuidado para não encostar a ponta de prova em dois terminais ao mesmo tempo.
Como o fusível estava aberto e não encontrei curto nos pontos verificados, coloquei outro fusível para testar.
Use uma peça com as especificações corretas para a sua placa, incluindo corrente nominal, característica de atuação e tensão adequada. Não escolha apenas pelo tamanho ou pela aparência e não aumente a corrente para evitar que ele queime.
Com a fonte correta e o fusível substituído, liguei o Famicom e a imagem voltou! Testei o jogo e os controles, e tudo estava funcionando novamente.
Depois, finalizei a montagem e repeti o teste com o console fechado.
Se o fusível novo abrir de novo, pare por aí: ainda existe um defeito para investigar.
Um susto que virou aprendizado
Dessa vez, consegui resolver com a troca de um fusível. Não significa que todo console ligado na fonte errada vai ter a mesma sorte, mas também não precisa sair condenando CPU e PPU antes de fazer os primeiros testes.
E fica a lição que eu mesmo precisei reaprender: antes de trocar um console pelo outro, confira a fonte!
Já aconteceu algo parecido com você? Conta nos comentários.
Um forte abraço!