Um videogame que não liga pode ser mais fácil de diagnosticar do que um aparelho que funciona quando quer. Quando o defeito é permanente, temos um sintoma claro para investigar. Já no defeito intermitente, o console pode ligar normalmente em um teste, falhar no seguinte e até funcionar por alguns minutos antes de travar.
Foi exatamente isso que aconteceu com o meu Nintendinho. O console começou falhando ocasionalmente, mas o problema foi se agravando até chegar ao ponto de funcionar por cerca de dez minutos e depois travar. Em alguns momentos ele nem ligava; em outros, parecia estar completamente normal.
O problema não era apenas consertá-lo, mas encontrar uma falha que insistia em desaparecer durante os testes.
Por que defeitos intermitentes são tão difíceis?
Quando um console funciona em alguns momentos e falha em outros, diferentes fatores podem parecer responsáveis pelo problema. Uma limpeza no cartucho, uma troca de fonte ou até o simples ato de desmontar e montar o aparelho pode coincidir com um período de funcionamento normal.
Isso cria uma falsa sensação de que o defeito foi resolvido. Depois de algum tempo, porém, a falha retorna.
No meu caso, comecei verificando possibilidades comuns. Testei a fonte, revisei conexões e limpei o EverDrive. Após algumas dessas tentativas, o videogame voltava a funcionar, mas o resultado nunca era definitivo. Com o uso, os travamentos reapareciam.
Em uma falha desse tipo, é importante não considerar o reparo concluído apenas porque o console ligou uma vez. É necessário observar seu comportamento durante um período maior e procurar evidências concretas do defeito.
Decidi abrir novamente o Nintendinho e fazer uma inspeção visual cuidadosa da placa. Durante essa análise, encontrei um pequeno capacitor cerâmico que apresentava um dano físico aparente. O componente estava quebrado e com a região inferior comprometida.
Somente a aparência não seria suficiente para afirmar que ele era o responsável pelo defeito. Um componente pode estar marcado, escurecido ou até parcialmente quebrado e ainda apresentar alguma leitura. Mesmo assim, aquele aspecto era um indício importante e justificava uma investigação mais profunda.
Também identifiquei outro capacitor que já havia sido substituído anteriormente e não seguia o mesmo padrão dos componentes ao redor. Por isso, os dois passaram a ser os principais suspeitos.
Em consoles antigos, é comum direcionarmos a atenção aos capacitores eletrolíticos. Eles envelhecem, podem perder suas características e, em alguns casos, vazar. Por isso, o chamado recap tornou-se uma prática conhecida entre colecionadores e técnicos.
No entanto, este caso mostra que capacitores cerâmicos também podem falhar. Embora geralmente apresentem grande durabilidade, eles não são indestrutíveis. Podem sofrer danos físicos, trincas, alterações de valor, instabilidade e até entrar em curto.
Isso não significa que todos os capacitores cerâmicos de um console antigo devam ser trocados preventivamente. Uma substituição indiscriminada também pode criar novos problemas, especialmente em placas frágeis ou que já passaram por outras intervenções.
O que passa a ser válido é incluir esses componentes no diagnóstico. Além de verificar os eletrolíticos, devemos observar atentamente os cerâmicos, procurar trincas, partes quebradas, escurecimento, corrosão e componentes diferentes dos demais. Quando houver suspeita, a medição e a comparação com uma peça conhecida podem ajudar a confirmar o problema.